Moça quase viva enrodilhada numa amoreira quase morta

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A princípio, esse romance parece tratar de amor e desejo – de um poeta que se derrama sobre sua musa em busca de obtê la e de uma musa que assume seu desejo na ausência do poeta. No entanto, a Literatura visceral de Evandro Affonso Ferreira acontece nas entrelinhas, quando a linguagem – que parece submeter se às demandas internas das personagens – vai se desvelando, pouco a pouco, para exibir se nua como verdadeira amante da narrativa. É a palavra a grande personagem desse romance. No início, ela assume um caráter lírico e romântico para, ao longo da obra, flertar com a aridez e o niilismo. Em determinado momento, percebe se que não são mais as personagens que se servem das palavras para falar de amor, mas o contrário o ethos da linguagem funda os caminhos amorosos a partir de seus parâmetros, numa vertigem que domina tanto o poeta quanto a musa. Nesse sentido, é a argamassa da prosa poética refinada do autor que faz poeta e musa virarem uma só personagem e amarem se em tecitura fictícia. Moça quase viva enrodilhada numa amoreira quase morta é linguagem demiurgo do amor e do desejo. Nas reentrâncias das palavras, os amantes se encontram, se despem, se amam, clamam a redenção de suas inquietudes, vicejam a vida como ela poderia ter sido. Então o amor transcende por meio do afeto e da metafísica da linguagem construída com maestria por Evandro..

Livro

Número de Páginas120
AutorFerreira, evandro affonso
EAN/ISBN9788569020424
DimensõesPeso (kg) 0.100 | AxLxC (cm) 17.00x15.00x1.00
EditoraNos editora
ISBN 108569020422
Data Publicação30/12/1899
Edição1
SituaçãoDisponível
EncadernaçãoBrochura
  • VTEX

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